Presa ao Inverso

Postado em Compaixão, Loucuras, Pensamentos às Julho 12, 2008 por Raia

No meu bairro existe uma família com uma renda baixa… É, são pobres mesmo. Não que seja a única assim, mas vou usá-la como exemplo. Enfim, além de pobre ela também é negra. Antes que comecem a praguejar usando meu nome, já digo que não sou racista. O que me incomoda é a minha atitude com eles. É uma besteira muito grande, mesmo. Para que eles não se sintam excluídos e ofendidos, não atravesso até o outro lado da rua, como se eles não fossem um empecilho para mim. De fato não são, mas fico me perguntando por que faço isso. Permaneço querendo causar uma boa impressão, só que na minha consciência existe um pensamento discriminatório que me confunde de uma forma muito irritante. Faço tudo para agradar, mesmo sabendo que essas pessoas não gostam de ser tratadas de maneira diferente, como os deficientes – agora nem podem ser chamados assim - visuais, físicos, etc. Não consigo vê-los assim e quero que se sintam protegidos e sem medo das atitudes das outras pessoas. Quero me consertar.

Os Dois, os Melhores

Postado em Amizade, Coldplay, Pensamentos, Saudades às Junho 16, 2008 por Raia

Estava cansada e cheia de sono, mas só conseguia fechar os olhos e mais nada. Talvez tenha cochilado um pouco, porém aquelas vozes e risadas não deixavam que eu dormisse. É o que acontece quando não se quer prestar atenção em tudo isso e no final não pode despregar a mente de todos. Resolvi então ouvir mais uma vez aquele álbum, o qual embora tenha sido disponibilizado dias antes, só pudera ter acesso apenas um anterior ao presente. Este, com aquelas guitarras e vozes reverberantes mais uma vez conseguiu me prender a atenção. Seria impossível não me fascinar por toda a arte com presença tão minuciosa em todos os detalhes. Aquelas outras vozes já haviam se aquietado e apenas o casal se comprometia a tornar aquele som entre os lábios incessante e cansativo. Tive de voltar novamente àquele álbum impressionante. De repente pensei nele; sim, nele novamente. Precisava conversar, e se possível, que a interface de uma tela não nos separasse com sempre nos separou. Necessitava ao menos ouvir a sua voz e dizer as mesmas coisas de sempre; de repente não somente elas, ora aquela máxima que deveria ter sido permutada logo depois que ele a deu na única e primeira vez que o ouvi. Não dava, não tinha como. Nem a interface, nem um telefone eu tinha ao meu alcance no meio da estrada; nem seu número. Não pude segurar e as lágrimas novamente pulsaram, e pulsaram. Um turbilhão de sentimentos, aqueles sons maravilhosos e únicos em minha cabeça. Uma banda, uma pessoa. A primeira tão especial e que, por conseguinte fez com que a segunda fosse encontrada, num local que algum tempo depois nem me dizia respeito. Ambas tão essenciais e tão especiais. A primeira eu já tinha em minhas mãos e meus ouvidos, a segunda só na memória. E se pudesse trocaria uma aquisição por outra.

Portador

Postado em Experiências, Saudades às Maio 29, 2008 por Raia

Apesar da altura e de sua perda entre os panos nos quais cobriam seu corpo, não se cogitava a qual grandeza aquele homem pertencia. Dono de uma paciência descomunal, expressão sólida e incrível capacidade de compreensão. Por Deus! Era tão forte!

Havia perdido dois filhos ainda no ventre de sua esposa, mas nem isso nem nada fez com que desistissem de um novo ser. Assim o tiveram, mas não somente um como dois deles. Nesse dia talvez tenha tentando me controlar, no entanto não poderia ter ouvido toda aquela história sem ao menos vislumbrar minha admiração e compaixão, somente pela minha face.

Meses depois ele tomou um violão de um colega nosso a fim de tocar o que sabia. Não me lembro ao certo que música era e nem de quem, talvez do Toquinho. Não só tocou como também cantou. Sua expressão sólida agora pertencia a mim. Era impossível tirar os olhos daquela criatura e novamente minhas lágrimas pulsaram. Acho que todos estavam assim, paralisados. Um conjunto de admiradores enérgicos fadados ao fascínio. A música terminou e ninguém sabia o que dizer. Não havia o que dizer, sentimos o que sentimos, e ele deveria saber disso, apesar de sua voluntária humildade.

Crepúsculo Admitido

Postado em Deus, Experiências, Flyleaf, Lacey Mosley às Maio 4, 2008 por Raia

Ela tinha dez anos quando usou drogas pela primeira vez. Aos treze, encontrou outras pessoas que usavam e acabou de afundando mais ainda no vício. Estava querendo descobrir quem era, e sentia que qualquer coisa que pudesse a separar de sua família ou de sua situação em casa era maravilhosa para si, pois lá era um tipo de campo de batalha onde a mãe e a garota brigavam todos os dias. Houve, então, uma grande desavença onde a polícia disse que ela não devia mais ficar lá. Deixou-o.

Sentia-se como um peixe fora d’água na nova escola, pelo menos no início. Se sentia muito só de qualquer forma, afinal, acabou perdendo namorado, irmãos que via todos os dias e as drogas que usava freqüentemente. Estava num estado deplorável, chorando e dizendo que não tinha nada, nada. Sentia que era o fim e não sabia por que ainda acordava todos os dias e por que ainda lidava com tudo aquilo. Estava deprimida e resolveu tirar sua vida no dia seguinte.

Então, nesse ponto, sua avó gritava com ela: Você precisa ir à Igreja! Você precisa ir à Igreja! Está perdendo o controle!”. Ela pensava: “Esse é o último lugar onde eu quero estar, com todas aquelas pessoas felizes que não têm nenhum problema, que acham que sabem todas as respostas quando não sabem de nada… eles não sabem nada de mim ou da minha vida, ninguém é como eu lá”. Entretanto, só para ser ouvida, só para acabar com o assunto, concordou em ir.

Sentou-se bem ao fundo. Estava abraçando a si mesma, e quase deitada na cadeira de tão baixo que sentava. Sucumbida, não ligava para mais nada. Nisso o padre começa a contar a história de sua vida. A cerimônia acabou e, ela, pensativa dirigia-se à porta, quando um homem que nunca havia visto antes agarrou-a pelo braço e disse: “Deus quer que eu fale com você. Ele quer que você saiba que embora você nunca tenha conhecido um pai na Terra, Ele será um pai melhor para você, melhor do que qualquer pai na Terra jamais poderá ser”. Ficou paralisada, estava chorando, querendo sair dali, e só ficava pensando que aquilo era mera coincidência. Ela ainda ia embora, mas ele insistiu, e começou a contar essa história como o padre estava contando, dizendo: “Deus está falando com você, e eu sei que você tem uma grande dor no seu coração que você acha que nada é capaz de curar, mas Deus pode livrá-la disso”. E, finalmente, ele disse: “Você quer se livrar da sua dor?”, ela assentiu dizendo que se mataria no dia seguinte. O estranho replicou: “Deus quer livrá-la dessa dor, você vai deixar? Você pode dar uma chance para Deus livrar você dessa dor?”, respondeu com um “okay”.

Nesse dia compreendeu que realmente existe um Deus e que de fato existe todo esse amor, e é por esse amor que vivemos. Não se trata apenas dela. Não voltaria nem um dia sequer, não mudaria nada. Simplesmente porque não seria quem hoje é. Não seria capaz de reconhecer a mesma dor que passou em outra pessoa, se não a experimentasse por ela mesma. Não saberia reconhecer a doçura do conforto se não tivesse passado por tudo. É por isso que hoje, aquela garota revoltada com tudo e com todos, quer mostrar com suas experiências – e desafios - e de outros, confrontando traumas passados para curar velhas cicatrizes e provar nesse processo que a esperança reverbera mais que o desespero, e pra que as pessoas apáticas e tímidas se levantem para o futuro, tendo perspectivas para lutar e acreditar em algo que seja bom e que transforme o mundo.

Existe aquela página em branco no início de um livro. É a página de dedicatória, onde você escreve uma mensagem para a pessoa que vai receber o livro. Mensagens pessoais que oferecem alguns momentos de clareza antes da história começar. A história de cada um. O momento que você tem com Deus logo antes de nascer, e de se formar no útero da mãe. O mesmo momento que acontece após a morte, quando você se reencontra com Deus. Ele vem tentando nos mostrar de várias formas sua proposta e devemos aceitá-lo, mesmo com uma reviravolta, devemos senti-lo, penetrá-lo e fazer com que outros experimentem.

Entremeios e Medos

Postado em Perspectiva às Abril 29, 2008 por Raia

Por muito tempo havia deixado de sentir esse vício descomedido que, aliás, fora sentido pouquíssimas vezes. Ele surgiu de forma tão benéfica que depois de um tempo acabou por martirizar. Podendo pensar até que naquela época o que sentia era platônico, mas não, realmente era o vício. Agora ele é sofrível, só não se tem a certeza de que no que se chegou, de fato seja da forma mais pura. Talvez seja somente afeição, talvez seja o que tem de ser. O maior medo se prende ao futuro onde as reações e sentimentos que permearão, decidirão aquilo que encaminhará as vidas. Até lá o que está guiando é a ansiedade, até que as vidas, de uma forma bruta, se encontrem.

Pontos e Vírgulas

Postado em Amizade, Essencial, Experiências às Abril 17, 2008 por Raia

Uma de minhas dificuldades é em manter uma amizade. Por todos os anos perpassados não me recordo de muitas das quais prevalecem até atualmente. Sim, são realmente poucas. Certo, pelo jeito apenas uma. As causas para que elas se desvanecessem são muitas. Simplesmente, aquilo que um dia foi tão forte desapareceu por descaso de ambas as partes. A mudança de bairro, colégio ou qualquer lugar que seja fez com que nos separássemos e não tivéssemos, de qualquer forma, algum anseio em nos procurar. Talvez ela não fosse tão forte assim, quem sabe nem mesmo uma amizade de fato era. Houve casos que ainda assim eu a obtinha no meu âmbito, mas quando há desvios grandes de interesses, gradativamente fomos nos distanciando. Também vale lembrar daquilo que se construiu e que pela minha besteira de dizer coisas tolas e não me reconhecer - é meu costume em dizer quando não deveriam ser ditas e para quem no caso eram remetidas. Agora tento ser o mais ponderável o possível, contudo ainda assim costumo cometer muitos deslizes, sou humana e isto explicaria muitas faltas, mesmo que não as justificassem tanto.

Eu e o Resto do Mundo

Postado em Pensamentos às Abril 13, 2008 por Raia

Muitas pessoas próximas dizem que pareço ser muito madura para minha idade, que me admiram por isto e por ser tão diferente dos outros. O problema é que nem todos têm conhecimento. Eu é que sou a garota séria e quieta que, conseqüentemente, é a mais inteligente de todas as pessoas daquele recinto. Tenho quase certeza que muita gente tem receio de se aproximar pela maioria do tempo eu estar com a típica cara séria.

Quando me relaciono com as demais pessoas não consigo ser eu mesma. Sinto-me sendo falsa, o que me chateia muito. Quem me conhece bem sabe do meu costume em ser irônica, e também de quanto sou brincalhona e sincera. Logo de cara não consigo ser assim, sempre me reservo e fico tentando ser simpática com todos, mesmo que eu não seja (pelo menos não me vejo de tal jeito).

Me incomodo com quase tudo que as pessoas dizem e tudo parece muito infantil. Sempre tenho vontade de soltar tudo que tenho dentro de mim, ou melhor, quase tudo, porque não seria muito conveniente mostrar o que estou pensando por motivos que prefiro nem revelar, mesmo que seja imaginável. Prefiro evitar brigas, entretanto a minha ânsia de liberar meus pensamentos e não me calar nunca chega ao ponto que deveria, nunca.

Guardar o rancor que tenho me sufoca, por isso não queria ser tão incomodada. Não queria ser tão amarga, deveria aceitar as pessoas. Já é difícil que encontre algum amigo, sendo tão seletiva acaba atrapalhando, mesmo que eu esteja satisfeita com os amigos que tenho.

Sete Meses

Postado em Compaixão, Experiências às Abril 6, 2008 por Raia

Há alguns meses um garoto muito, muito querido se foi. Não para mim, mas para aquela garota que não parava de falar nele. Era empolgante e por vezes triste vê-la vir me contar das recuperações dele e das reviravoltas daquele relacionamento. Pensei em diversas formas de como me comportaria quando a encontrasse depois daquela notícia. Mas não, não comigo. Queria ter dito muitas coisas, entretanto nada fluía pois não sou a melhor pessoa em expressar o carinho que tenho, e espero mesmo que o silêncio e apenas minha companhia tenha sido o bastante para que ela sentisse compaixão vinda de mim. Hoje, depois de tanto tempo ainda me corta o coração quando vejo que ela não superou tudo isso por completo. Queria muito dizer coisas bonitas, mas poderia parecer clichê demais. Não que eu me importasse em dizê-las por isto, mas bater sempre no mesmo ponto não seria nada, logo que ela já tivesse o visto e compreendido. Penso que meu silêncio mais uma vez seja necessário. Cada um tem o tempo que quer, ou até o que não quer, mas precisa deste que nos prende para superar o que a vida nos proporciona. O mal e as flores vêm vão…

Conhecimento

Postado em Essencial às Março 31, 2008 por Raia

Quanto mais se lê, mais o ser humano percebe a importância que este hábito tem para sua vida. Pode-se, de início, acreditar numa idéia e, na exploração crítica, intrínseca do texto e ao mesmo tempo acompanhada da experiência subjetiva, mudá-la – mesmo que convicta - para um rumo demasiado externo ao anterior. A curiosidade, vontade de saber, esclarecer, tomar tudo em provas e ter certeza sobre o que um autor quis passar, leva-nos a uma procura da verdade, ou ao menos, da verossimilhança – embora esta ainda possa nos deixar muitas vezes inquietos.

A leitura, quando exercida de uma forma crítica (portanto quando não automatizada), acaba refletindo no social de quem a exerce. O sujeito é caracterizado pela fala, onde é perceptível a quase imensidão do conhecimento em vocábulos. A capacidade de retórica e contestação para defender suas idéias pode surpreender mais do que a de outrem. Mesmo assim, ainda fica difícil de classificar até mesmo um profissional, seja qual for, como um inteiro conhecedor de sua área. Por mais que ele se entranhe em diversos multimeios referidos a ela, sempre acaba faltando algo; no mundo atual isto está mais explícito ainda com a explosão de objetos para o conhecimento e a facilidade de se manifestar sobre tudo que se imaginar (vide internet). Mesmo que achemos a resposta para algo e nos sentimos satisfeitos, às vezes surgem provas muito plausíveis as quais somos sujeitos a aceitar; acabamos até caindo em contradição quando fixamos aquela idéia inicial e tomamos outra. Entende-se, então, que é impossível a resposta para tudo.

Muito diz-se a respeito de hierarquias sociais e ocupacionais. Mesmo um analfabeto tem suas condições de ter uma visão crítica e aprender sobre muitas coisas; pode parecer contraditório, pois logo no início foi citada a importância da leitura, mas a experiência de vida é essencial e pode muito bem ser exterior a várias ocasiões. Ser humilde e admitir suas necessidades recorrendo a outro que sabe mais sobre algo que não a si mesmo, é um grande passo para o conhecimento. É recíproco e faz muito bem. A modéstia de quem é recorrido também é um fator expressamente útil para que se chegue a um compêndio daqueles que estão em volta de algum objetivo, qualquer que seja.

O importante é conhecer, conhecer como se não houvesse um fim. Ir atrás de respostas e formar objeções, formular questões e tentar respondê-las. O conhecimento não pode ser extrínseco a ninguém, devemos buscá-lo sempre. O dia-a-dia já é um conhecimento primário, querer se aprofundar em outros e mais outros torna-se um fascínio constante.

Evil and Flowers

Postado em Bonnie Pink às Março 24, 2008 por Raia

Você pode encontrar o mal em todo lugar
Se dirigindo às suas flores
Corra, corra e se esconda como puder
Vão te pegar

Sempre estão prontos em sua mente
Nenhum homem vivo pode vê-los
Eles aparecem conforme as flores caem
Então você deve ir

Ir a algum lugar para encontrar a si mesmo
Se você não puder se ajudar
Embora o mal e as flores ambos vêm e vão

De qualquer forma, você não tem que encontrar escolha
Passando horas vagas
Meio longas pra você superar
Quem sabe a que lugar pertence
Estamos sempre petrificados e amarrados
Queria poder subir uma escada
Noite escura, noite escura virá muito em breve
E então você tem que ir

Ir a algum lugar para encontrar a si mesmo
Se você não puder se ajudar
Embora o mal e as flores ambos vêm e vão
O mal e as flores ambos vêm e…
O mal e as flores ambos vêm e vão

O Mal e as flores
O Mal e as flores